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Resumo De

Resumo da Odisseia, de Homero

Por Rui Nakamura 11 min de leitura

Aviso de spoiler. Este resumo conta a história inteira, inclusive o final.

Em 30 segundos

A Odisseia conta a volta de Odisseu, rei de Ítaca, para casa depois da Guerra de Troia, uma viagem que leva dez anos. O poema não começa pela partida: abre no vigésimo ano de ausência, com o filho Telêmaco em busca de notícias e a casa invadida por pretendentes que querem se casar com Penélope e tomar o trono. Odisseu está preso na ilha da ninfa Calipso. Libertado por ordem dos deuses, chega à terra dos feácios e ali narra suas aventuras passadas: o ciclope Polifemo, a feiticeira Circe, a descida ao mundo dos mortos, as sereias, Cila e Caríbdis. De volta a Ítaca, disfarçado de mendigo, prepara a vingança, mata os pretendentes com a ajuda do filho e é reconhecido por Penélope.

Os 24 cantos da Odisseia em três blocos, com as aventuras de Odisseu reorganizadas na ordem em que aconteceram ao longo do retorno a Ítaca
Ilustração: resumode.com.br

Quem é quem

Odisseu
Rei de Ítaca, chamado Ulisses pelos romanos, conhecido pela astúcia.
Penélope
Esposa de Odisseu, que mantém os pretendentes à distância com astúcia própria.
Telêmaco
Filho de Odisseu, que sai em busca de notícias do pai.
Atena
Deusa protetora de Odisseu e de Telêmaco.
Poseidon
Deus do mar, que persegue Odisseu depois do episódio do ciclope.
Polifemo
Ciclope filho de Poseidon, cegado por Odisseu.
Calipso
Ninfa que retém Odisseu por sete anos em sua ilha.
Circe
Feiticeira que transforma companheiros de Odisseu em porcos.
Eumeu
Porqueiro fiel que acolhe Odisseu disfarçado.
Os pretendentes
Nobres que ocupam o palácio querendo casar com Penélope e tomar o trono.

O que é a Odisseia

A Odisseia é um dos dois grandes poemas épicos gregos atribuídos a Homero. O outro é a Ilíada. Os dois foram compostos para serem recitados e só depois fixados por escrito, e a questão de quem foi Homero, ou se houve um único autor, é discutida desde a Antiguidade.

O poema tem 24 cantos e conta o nóstos, a volta para casa, de Odisseu, rei da ilha de Ítaca. Os romanos o chamavam de Ulisses, e é por esse nome que ele é mais conhecido no português.

O traço que define o herói é a astúcia. Na Ilíada, o grande guerreiro é Aquiles, o mais forte. Na Odisseia, o que salva Odisseu repetidas vezes é a inteligência: a mentira bem contada, o disfarce, o plano que parece loucura.

Uma história que começa pelo meio

A primeira coisa a saber sobre a estrutura é que o poema não conta a viagem em ordem. Começa quando já se passaram quase vinte anos desde que Odisseu saiu para a guerra, e só depois volta ao passado.

A divisão mais usada organiza os cantos em três blocos:

Cantos Bloco O que acontece
1 a 4 A busca de Telêmaco Ítaca invadida pelos pretendentes; o filho viaja atrás de notícias do pai
5 a 12 A viagem e o relato Odisseu deixa Calipso, chega aos feácios e conta suas aventuras passadas
13 a 24 O retorno a Ítaca Disfarce, reconhecimentos, vingança contra os pretendentes e reencontro com Penélope

Cantos 1 a 4: a casa sem dono

Nos céus, os deuses discutem o destino de Odisseu. Atena, sua protetora, aproveita a ausência de Poseidon, que o persegue, para defender seu retorno.

Em Ítaca, a situação é desesperadora. Dezenas de pretendentes ocupam o palácio, comem os rebanhos da família e pressionam Penélope a escolher um novo marido, presumindo Odisseu morto. Quem se casar com ela ficará com o trono.

Telêmaco, filho de Odisseu, ainda jovem, é incentivado por Atena disfarçada a reagir. Viaja a Pilos e a Esparta para pedir notícias do pai aos antigos companheiros de guerra, Nestor e Menelau. Descobre que Odisseu está vivo, retido numa ilha.

Esse bloco é também a história do amadurecimento de Telêmaco, que sai menino e volta pronto para lutar ao lado do pai.

Cantos 5 a 12: Calipso, os feácios e o grande relato

Por ordem de Zeus, a ninfa Calipso é obrigada a libertar Odisseu, que estava preso em sua ilha havia sete anos e recusara até a imortalidade oferecida por ela. Ele constrói uma jangada, é atingido por uma tempestade de Poseidon e chega nu e exausto à terra dos feácios.

Recebido no palácio do rei Alcínoo, ouve um cantor narrar episódios da guerra, entre eles o do cavalo de madeira, e chora. Pressionado a revelar quem é, decide contar tudo. E aqui começa o trecho mais conhecido do poema, narrado pelo próprio Odisseu em primeira pessoa.

As aventuras, na ordem em que aconteceram

  1. Cícones. O primeiro saque depois de Troia termina em contra-ataque e perda de homens.
  2. Lotófagos. Quem come o fruto do lótus esquece a vontade de voltar para casa. Odisseu arrasta os companheiros de volta aos navios.
  3. Ciclope Polifemo. Presos na caverna do gigante de um olho só, que devora alguns deles, escapam depois de embebedá-lo e cegá-lo. Odisseu diz se chamar Ninguém. Ao partir, porém, grita seu nome verdadeiro, e Polifemo pede vingança ao pai, Poseidon.
  4. Éolo. O senhor dos ventos lhes dá um odre com os ventos contrários presos. Perto de Ítaca, os companheiros abrem o odre achando que era ouro, e a tempestade os leva de volta.
  5. Lestrigões. Gigantes canibais destroem todos os navios, menos o de Odisseu.
  6. Circe. A feiticeira transforma companheiros em porcos. Com uma erva dada por Hermes, Odisseu resiste ao feitiço, obriga-a a desfazê-lo e fica cerca de um ano em sua ilha.
  7. Mundo dos mortos. Por indicação de Circe, desce ao Hades para consultar o adivinho Tirésias. Encontra a própria mãe e antigos companheiros de guerra.
  8. Sereias. Amarrado ao mastro, ouve o canto enquanto os companheiros remam com cera nos ouvidos.
  9. Cila e Caríbdis. Entre o monstro de seis cabeças e o redemoinho que engole o mar, escolhe perder seis homens para não perder o navio.
  10. Gado do Sol. Retidos na ilha do deus Sol pela falta de vento e famintos, os companheiros matam os bois sagrados, contra as advertências. Como castigo, o navio é destruído. Só Odisseu sobrevive e vai parar na ilha de Calipso.

O relato termina onde a narrativa do poema tinha começado.

Cantos 13 a 24: o retorno a Ítaca

Os feácios levam Odisseu a Ítaca enquanto ele dorme. Atena o transforma num velho mendigo, para que possa avaliar a situação sem ser reconhecido.

Os reconhecimentos são o centro emocional desse bloco:

  • o porqueiro Eumeu, fiel à família, acolhe o mendigo sem saber quem é;
  • Telêmaco, de volta da viagem, é o primeiro a quem Odisseu se revela, e os dois planejam a vingança;
  • o cão Argos, velho e largado, reconhece o dono, abana a cauda e morre;
  • a ama Euricleia, ao lavar os pés do hóspede, reconhece uma cicatriz de caça e precisa ser silenciada.

A prova do arco. Penélope anuncia que se casará com quem armar o arco de Odisseu e fizer uma flecha atravessar doze machados alinhados. Nenhum pretendente consegue sequer armá-lo. O mendigo pede para tentar, consegue, e em seguida volta as flechas contra os pretendentes. Com Telêmaco e dois servos fiéis, mata todos.

Penélope. Mesmo depois da matança, ela não aceita de imediato que aquele homem seja o marido. Testa-o: pede que a cama seja tirada do quarto. Odisseu reage indignado, porque ele mesmo construíra a cama a partir do tronco de uma oliveira enraizada no chão, impossível de mover. Só os dois sabiam disso. É esse segredo que confirma a identidade.

O fecho. Odisseu reencontra o velho pai, Laertes. As famílias dos pretendentes mortos querem vingança, e o conflito só termina com a intervenção de Atena, que impõe a paz.

Por que a Odisseia continua sendo lida

A Odisseia é a matriz de toda história de viagem e retorno: sair, ser posto à prova, perder quase tudo e voltar transformado para uma casa que também mudou. O próprio nome virou substantivo comum para uma jornada longa e cheia de obstáculos.

Ela é também uma história sobre identidade. Odisseu passa boa parte do poema sem nome, disfarçado ou chamado de Ninguém, e só volta a ser quem é quando é reconhecido pelos seus.

Como cair bem numa prova sobre a Odisseia

Não confunda com a Ilíada. Ilíada é guerra e Aquiles; Odisseia é retorno e Odisseu.

Explique a estrutura. Começo no meio, relato em primeira pessoa nos cantos 9 a 12, retorno a Ítaca no final.

Valorize Penélope. Sua astúcia espelha a do marido, e a cena da cama é das mais cobradas.

O essencial para não se perder

  1. A estrutura do poema: a busca de Telêmaco, a chegada aos feácios com o relato das aventuras e o retorno a Ítaca.
  2. O início no meio da ação e o longo flashback narrado pelo próprio Odisseu.
  3. A astúcia como virtude principal do herói, em contraste com a força do herói da Ilíada.
  4. A fidelidade e a inteligência de Penélope, com o estratagema do sudário.
  5. A ira de Poseidon depois do episódio do ciclope, que explica a duração da viagem.

Confusões que se espalharam

A Odisseia conta a Guerra de Troia

A guerra é o assunto da Ilíada, que narra um trecho curto do último ano do cerco e termina antes da queda da cidade. A Odisseia começa depois de tudo acabado e trata do retorno. O cavalo de madeira aparece na Odisseia, mas como lembrança: é contado em canção durante o banquete dos feácios e mencionado em outros relatos, não narrado como ação do poema.

Ulisses passou vinte anos navegando

Foram vinte anos longe de casa: dez na guerra e dez na volta. E, desses dez de volta, a maior parte ele passa parado, não no mar. Fica sete anos retido na ilha de Calipso e cerca de um ano com Circe. As aventuras famosas ocupam uma parcela pequena desse tempo.

Penélope apenas espera o marido, fiel e passiva

Penélope é tão astuciosa quanto Odisseu. Para adiar a escolha de um novo marido, promete decidir quando terminar de tecer uma mortalha para o sogro, e à noite desfaz o que teceu de dia, por três anos. No final, é ela quem testa o homem que diz ser seu marido, com a pergunta sobre a cama feita a partir de uma oliveira plantada no chão, segredo que só os dois conheciam.

O poema conta a viagem na ordem em que ela aconteceu

A narrativa começa no meio da ação, com a técnica que a crítica chama de in medias res. Os primeiros cantos seguem Telêmaco em Ítaca e em viagem. Odisseu só aparece no quinto canto, já no fim da jornada, e as aventuras anteriores são contadas por ele mesmo, em primeira pessoa, nos cantos 9 a 12. Quem lê esperando ordem cronológica se perde.

Os companheiros de Ulisses morrem por culpa da tempestade

O poema insiste na responsabilidade deles. Desde a abertura, diz que os companheiros se perderam pela própria insensatez, porque comeram o gado sagrado do deus Sol, mesmo avisados. É esse sacrilégio que provoca a destruição do último navio, e Odisseu é o único sobrevivente.

Teste sua memória

6 perguntas

Quem é o autor da Odisseia?
A tradição atribui o poema a Homero. Quem foi Homero, e se os dois poemas são de um mesmo autor, é questão discutida há séculos.
Por que Poseidon persegue Odisseu?
Porque Odisseu cegou o ciclope Polifemo, filho do deus, para escapar da caverna onde estava preso com seus homens.
Qual foi o truque do nome usado com o ciclope?
Odisseu disse que se chamava Ninguém. Quando Polifemo pediu socorro gritando que Ninguém o atacava, os outros ciclopes não vieram ajudar.
Como Odisseu ouve o canto das sereias sem se perder?
Tapa os ouvidos dos companheiros com cera e pede para ser amarrado ao mastro, com ordem de não ser solto de jeito nenhum.
Quem reconhece Odisseu primeiro quando ele volta disfarçado?
O cão Argos, velho e abandonado, que o reconhece e morre em seguida. Depois, a ama Euricleia, por uma cicatriz na perna.
Qual é a prova do arco?
Penélope promete se casar com quem conseguir armar o arco de Odisseu e atravessar doze machados com uma flecha. Só o mendigo disfarçado consegue.

Rui Nakamura

Resumos de mitologia e de narrativas longas

Escreve os resumos da estante Universos, mapeando panteões e histórias grandes demais para caber na memória. Monta a árvore genealógica e a linha do tempo antes de escrever uma linha. Se as duas não fecham, o resumo ainda não está pronto.

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