Ir direto para o conteúdo
Resumo De

Resumo de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll

Por Rui Nakamura 11 min de leitura

Aviso de spoiler. Este resumo conta a história inteira, inclusive o final.

Em 30 segundos

Alice, uma menina entediada à beira de um rio, segue um Coelho Branco de colete e relógio e cai numa toca que leva a um mundo onde nada obedece à lógica comum. Ela encolhe e cresce ao beber e comer o que encontra, chora um lago de lágrimas, conversa com uma Lagarta que pergunta quem ela é, visita a casa da Duquesa, onde um bebê vira porco, encontra o Gato de Cheshire, que some deixando o sorriso, e participa de um chá sem fim com o Chapeleiro e a Lebre de Março. No jardim da Rainha de Copas, que manda cortar cabeças por qualquer motivo, joga um croqué absurdo. O livro termina num julgamento em que Alice cresce, desafia a corte e acorda: tudo tinha sido um sonho.

O percurso de Alice pelos doze capítulos, da margem do rio à toca, ao jardim e ao tribunal, com o tamanho dela subindo e descendo ao longo do caminho e a volta ao mundo real no fim
Ilustração: resumode.com.br

Quem é quem

Alice
Menina curiosa e argumentadora, que atravessa o sonho tentando entender as regras do lugar.
Coelho Branco
Coelho apressado, de colete e relógio, que Alice segue até a toca.
Lagarta
Figura sobre o cogumelo que pergunta a Alice quem ela é e ensina a controlar o tamanho.
Duquesa
Nobre de casa caótica, com cozinheira que joga pimenta e panelas.
Gato de Cheshire
Gato que sorri, aparece e desaparece, deixando só o sorriso no ar.
Chapeleiro
Anfitrião do chá sem fim, com charadas sem resposta.
Lebre de Março
Companheira do Chapeleiro no chá, tão disparatada quanto ele.
Arganaz
Pequeno roedor que dorme o chá inteiro e acorda para contar uma história.
Rainha de Copas
Soberana colérica que manda cortar a cabeça de todos por qualquer motivo.
Valete de Copas
Acusado de roubar as tortas no julgamento final.
Grifo
Criatura que leva Alice até a Tartaruga Falsa.
Tartaruga Falsa
Criatura melancólica que conta sua história e ensina a quadrilha das lagostas.

De onde veio a história

Em 4 de julho de 1862, Charles Lutwidge Dodgson, professor de matemática na Universidade de Oxford, saiu para um passeio de barco com um colega e as três filhas de Henry Liddell, reitor da faculdade onde ele trabalhava. Uma delas, Alice, tinha dez anos. Para distrair as meninas, ele inventou uma história com uma protagonista de mesmo nome.

Alice pediu que ele a escrevesse. Dodgson preparou um manuscrito, que lhe deu de presente, e depois ampliou o texto para publicação. O livro saiu em 1865, assinado com o pseudônimo Lewis Carroll e com ilustrações de John Tenniel, que fixaram a imagem dos personagens.

Quase ninguém que o lê hoje sabe que o autor escrevia também tratados de lógica. Isso aparece em cada página.

A queda

Alice está sentada à beira do rio com a irmã, entediada com um livro sem figuras nem diálogos, quando passa correndo um Coelho Branco de colete, tirando um relógio do bolso e dizendo que está atrasado. Ela o segue e cai numa toca que é, na verdade, um poço tão longo que dá tempo de pensar durante a queda.

Lá embaixo, encontra um salão com muitas portas trancadas e uma chave que abre só uma porta minúscula, pela qual se vê um jardim lindo. Começa então o primeiro problema do livro: o tamanho. Um frasco com a etiqueta beba-me a faz encolher; um bolo com a inscrição coma-me a faz crescer demais. Ela chora, e as lágrimas de quando é gigante viram um lago no qual ela mesma nada depois de encolher.

Os primeiros encontros

No lago, Alice encontra animais molhados, entre eles um Dodô, que propõe uma corrida para secar em que todos correm como querem, param quando querem e todos ganham.

Depois ela vai parar na casa do Coelho, cresce de novo e fica entalada dentro dela.

Já pequena, encontra a Lagarta, sentada num cogumelo, fumando um narguilé. A Lagarta faz a pergunta que resume o livro, quem é você, e Alice não consegue responder: mudou tantas vezes naquele dia que já não sabe. Antes de ir embora, a Lagarta indica que um lado do cogumelo faz crescer e o outro faz diminuir. Alice passa a controlar o próprio tamanho.

A Duquesa, o Gato e o chá

Na casa da Duquesa, a cozinheira põe pimenta em tudo e atira panelas. A Duquesa embala um bebê com uma canção violenta e o entrega a Alice, que o leva para fora. No caminho, o bebê vira porco e foge.

Numa árvore aparece o Gato de Cheshire, com seu sorriso largo. Alice pergunta que caminho deve tomar, e ele responde que depende de aonde ela quer chegar. Explica que todos ali são loucos, inclusive ela, senão não estaria ali. Depois some aos poucos, até restar só o sorriso.

Alice chega então ao chá na casa da Lebre de Março, com o Chapeleiro e um Arganaz que dorme o tempo todo. A mesa é enorme, e os três se espremem num canto dizendo que não há lugar. O Chapeleiro propõe uma charada, por que um corvo se parece com uma escrivaninha, e admite não saber a resposta. Explica que brigou com o Tempo, que por isso parou nas seis horas, a hora do chá. Eles vivem num chá permanente, mudando de lugar à mesa.

O jardim da Rainha

Alice finalmente entra no jardim. Encontra jardineiros, que são cartas de baralho, pintando de vermelho as rosas brancas plantadas por engano, com medo da Rainha de Copas.

A Rainha chega e ordena cortar cabeças a cada contrariedade. Convida Alice para o croqué, que é jogado com flamingos vivos como tacos, ouriços como bolas e soldados curvados formando os arcos. Ninguém respeita a vez. O Gato de Cheshire reaparece, só a cabeça, e o Rei quer mandar decapitá-lo, o que gera uma discussão sobre como se corta a cabeça de quem não tem corpo.

A Duquesa, agora simpática, passeia com Alice tirando moral de tudo. Depois a Rainha manda o Grifo levar Alice até a Tartaruga Falsa, que chora contando os estudos que fez no mar, cheios de trocadilhos com as matérias da escola, e os dois ensinam a ela a quadrilha das lagostas.

O julgamento

O último episódio é um tribunal. O Valete de Copas é acusado de roubar as tortas da Rainha. O Rei é o juiz, os jurados são animais que anotam tudo errado e as testemunhas são o Chapeleiro, a cozinheira da Duquesa e, por fim, Alice.

Enquanto o julgamento avança, Alice começa a crescer sem ter comido nada. O Rei inventa uma regra dizendo que pessoas com mais de um quilômetro e meio de altura devem sair, e a prova apresentada contra o Valete é um poema sem sentido. A Rainha exige primeiro a sentença e depois o veredito.

Alice, já do tamanho normal, perde a paciência e diz que eles não passam de um baralho. As cartas voam sobre ela, e ela acorda à beira do rio, com a cabeça no colo da irmã, tirando folhas secas do rosto.

A irmã, depois que Alice sai correndo, fica imaginando a menina crescida contando essas histórias a outras crianças.

O que torna o livro diferente

A lógica levada a sério demais

O humor do livro vem de levar a linguagem ao pé da letra. Quando alguém diz a Alice que ela deveria dizer o que pensa, ela responde que sim, pensa o que diz, e é corrigida: não é a mesma coisa, assim como ver o que se come não é comer o que se vê. Trocadilhos, confusões de sentido e perguntas sem resposta são o motor das cenas.

As paródias

Vários poemas que Alice tenta recitar saem errados, e são paródias de versos didáticos que as crianças da época decoravam, sobre abelhas trabalhadoras e velhos sensatos. O leitor inglês de 1865 reconhecia o original e ria da versão torta.

A identidade

As mudanças de tamanho não são só efeito visual. Alice passa o livro perguntando se ainda é ela mesma, e ninguém naquele mundo aceita as regras que ela aprendeu. O livro termina quando ela para de se submeter a elas.

Os nomes nas traduções

As edições brasileiras variam bastante. O Gato de Cheshire, o Arganaz e a Tartaruga Falsa aparecem com nomes diferentes conforme a tradução, e vale conferir a lista de personagens da edição que se tem em mãos. Os poemas e trocadilhos, intraduzíveis ao pé da letra, costumam ser recriados, e comparar traduções é um bom modo de perceber quanto do livro está na língua.

Mais estranho do que a fama

Alice no País das Maravilhas inaugurou um tipo de fantasia sem lição de moral explícita, em que a graça está no absurdo e na inteligência da protagonista diante dele. Muito do que se pensa saber sobre o livro vem dos filmes, que misturam cenas da continuação. Voltar ao texto é descobrir que ele é mais curto, mais estranho e mais engraçado do que a fama sugere.

O essencial para não se perder

  1. A origem do livro numa história contada em passeio de barco às irmãs Liddell, em 1862.
  2. A estrutura de episódios soltos ligados pelo sonho, e não por um enredo de busca.
  3. O jogo com a linguagem: trocadilhos, lógica levada ao pé da letra e paródias de poemas escolares da época.
  4. A pergunta sobre identidade que atravessa o livro, a partir das mudanças de tamanho.
  5. A diferença entre este livro e Através do Espelho, que muitos filmes misturam.
  6. O final no julgamento do Valete de Copas e o despertar de Alice.

Confusões que se espalharam

Tweedledum, Tweedledee e Humpty Dumpty são personagens de Alice no País das Maravilhas

Eles estão em Através do Espelho, a continuação publicada em 1871, organizada como uma partida de xadrez. Também são desse segundo livro o poema Jabberwocky, a Morsa e o Carpinteiro e a Rainha Vermelha. As adaptações para cinema costumam juntar os dois livros, e é daí que vem a confusão.

A Rainha de Copas e a Rainha Vermelha são a mesma personagem

A Rainha de Copas é uma carta de baralho do primeiro livro, colérica, que manda cortar cabeças. A Rainha Vermelha é uma peça de xadrez do segundo livro, severa e didática, que ensina Alice a correr para ficar no mesmo lugar. O próprio autor distinguiu as duas. A fusão veio das adaptações.

No livro, o personagem se chama Chapeleiro Maluco

No original ele é apenas o Chapeleiro. A ideia de loucura vem da expressão inglesa louco como um chapeleiro, que já existia, e do Gato de Cheshire, que avisa Alice de que o Chapeleiro e a Lebre de Março são loucos. O nome composto se fixou nas adaptações e em muitas traduções.

O livro é uma história cifrada sobre drogas

A leitura surgiu no século XX, a partir da Lagarta que fuma narguilé e do cogumelo que muda o tamanho de Alice, e não tem apoio no contexto da obra. O livro é feito de jogos de lógica, trocadilhos e paródias de poemas morais que as crianças inglesas decoravam na escola. Ler tudo como alusão escondida faz perder o que o texto tem de mais inventivo.

Alice Liddell era filha de Lewis Carroll

Alice Liddell era filha de Henry Liddell, reitor de uma faculdade da Universidade de Oxford onde Charles Dodgson ensinava matemática. Dodgson conhecia a família e criou a história num passeio de barco com Alice e as irmãs. A Alice do livro se inspira nela, sem ser um retrato.

Teste sua memória

7 perguntas

Quem era Lewis Carroll?
Pseudônimo de Charles Lutwidge Dodgson, professor de matemática em Oxford.
Como Alice muda de tamanho?
Bebendo de um frasco, comendo bolos e, depois, mordendo lados diferentes de um cogumelo indicado pela Lagarta.
O que acontece com o bebê da Duquesa?
Alice o leva nos braços para fora da casa e ele se transforma num porco, que foge para o bosque.
Por que o chá na casa da Lebre de Março nunca termina?
Porque, segundo o Chapeleiro, o Tempo parou nas seis horas, hora do chá, e eles só podem trocar de lugar à mesa.
Com o que se joga croqué no jardim da Rainha?
Com flamingos vivos como tacos e ouriços como bolas, e soldados-cartas curvados como arcos.
Do que o Valete de Copas é acusado?
De ter roubado as tortas feitas pela Rainha.
Como termina o sonho de Alice?
Alice cresce no tribunal, chama todos de baralho, as cartas voam sobre ela e ela acorda no colo da irmã.

Rui Nakamura

Resumos de mitologia e de narrativas longas

Escreve os resumos da estante Universos, mapeando panteões e histórias grandes demais para caber na memória. Monta a árvore genealógica e a linha do tempo antes de escrever uma linha. Se as duas não fecham, o resumo ainda não está pronto.

Voltar para Universos