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Resumo De

Resumo de Em Busca de Sentido, de Viktor Frankl

Por Aline Perez 10 min de leitura

A tese em uma frase Mesmo quando tudo é tirado de uma pessoa, resta a liberdade de escolher a atitude, e a busca de sentido é o que mais sustenta a vida humana.

Em 30 segundos

Viktor Frankl, psiquiatra de Viena, passou quase três anos em campos de concentração nazistas, entre eles Auschwitz, e perdeu ali grande parte da família. O livro tem duas partes. Na primeira, ele descreve a vida no campo do ponto de vista psicológico, em três fases: o choque da chegada, a apatia do cotidiano e a difícil volta à liberdade. A observação central é que, mesmo privado de tudo, o prisioneiro conservava uma última liberdade, a de escolher a atitude diante do que sofria, e que quem tinha um motivo para viver resistia melhor. Na segunda parte, Frankl apresenta a logoterapia, sua escola de psicoterapia, que vê a busca de sentido como motivação humana fundamental e indica três caminhos para encontrá-lo: criar algo, amar alguém ou enfrentar com dignidade um sofrimento inevitável.

As duas partes do livro: as três fases do prisioneiro em sequência, e as três fontes de sentido da logoterapia, com a atitude diante do sofrimento inevitável separada do sofrimento evitável
Ilustração: resumode.com.br

Quem foi Viktor Frankl

Viktor Frankl era psiquiatra e neurologista em Viena. Nos anos 1930, já trabalhava com prevenção ao suicídio e desenvolvia as ideias que chamaria de logoterapia. Em 1942, foi deportado com a família para o gueto de Theresienstadt. Passou depois por Auschwitz e por campos ligados a Dachau, até a libertação, em 1945.

O pai morreu em Theresienstadt. A mãe e o irmão foram mortos em Auschwitz. A esposa morreu em Bergen-Belsen. Frankl só soube dessas mortes depois de libertado.

Ele escreveu o livro em 1946, em poucos dias, e chegou a pensar em publicá-lo sem assinatura. Acabou saindo com seu nome, e com o tempo se tornou um dos livros mais lidos do século XX.

Primeira parte: a vida no campo

Frankl deixa claro o que não quer fazer. Não pretende relatar os grandes horrores, já descritos por outros, nem os casos excepcionais. Quer responder a uma pergunta: como o cotidiano de um campo se refletia na mente do prisioneiro comum?

Ele organiza a resposta em três fases.

A chegada

A primeira reação é o choque. Frankl descreve algo que chama de ilusão do indulto: recém-chegados agarram-se à esperança de que, com eles, será diferente. Essa ilusão é destruída em poucas horas, quando tudo é tirado, inclusive o nome, substituído por um número. Ele conta que perdeu ali o manuscrito do livro que carregava escondido no casaco.

Segue-se uma espécie de curiosidade fria e depois um humor amargo, como defesas diante do absurdo.

A vida no campo

A segunda fase é a apatia. Depois de alguns dias, o prisioneiro para de sentir. Cenas de violência já não provocam reação. Frankl interpreta essa insensibilidade como proteção: a mente se fecha para sobreviver.

Nesse cenário, ele registra o que ainda sustentava as pessoas:

  • o amor, mesmo à distância. Numa marcha de madrugada, ele conta que conversava em pensamento com a esposa, sem saber se ela estava viva, e que isso lhe dava força;
  • a vida interior: momentos diante de um pôr do sol, uma lembrança, uma conversa, que davam ao preso uma experiência que o campo não alcançava;
  • o humor, que ele chama de arma da alma na luta pela preservação de si;
  • um motivo para o futuro. Frankl cita a frase de Nietzsche segundo a qual quem tem um porquê para viver suporta quase qualquer como.

Daí vem a observação mais conhecida do livro. Tudo pode ser tirado de uma pessoa, menos uma coisa: a última das liberdades humanas, a de escolher a própria atitude diante das circunstâncias. No mesmo campo, sob as mesmas condições, houve quem se tornasse cruel e houve quem dividisse o último pedaço de pão.

Frankl não transforma isso em julgamento sobre quem sucumbiu. Ele repete que a sobrevivência dependia de acasos incontáveis e escreve que os melhores não voltaram.

A libertação

A terceira fase surpreende quem espera alegria imediata. Ao sair, muitos prisioneiros sentiam estranhamento: a liberdade parecia irreal, e a capacidade de sentir alegria precisava ser reaprendida.

Frankl descreve também dois riscos dessa fase: a amargura, de quem se sente autorizado a ferir os outros porque foi ferido, e a desilusão, de quem volta e descobre que as pessoas que o sustentavam em pensamento já não estão vivas.

Segunda parte: a logoterapia

A segunda parte apresenta, em forma resumida, a escola de psicoterapia de Frankl. O nome vem da palavra grega logos, entendida aqui como sentido.

A vontade de sentido

Frankl contrapõe sua ideia a duas grandes correntes de Viena. Para uma, a motivação humana básica seria a busca de prazer; para outra, a busca de poder. Para ele, a motivação fundamental é a vontade de sentido.

Quando essa busca é frustrada, surge o que ele chama de vazio existencial: tédio, apatia, a sensação de que nada importa. Frankl via esse vazio como marca do seu tempo, e não como doença de alguns.

O sentido é descoberto

Um dos pontos mais citados é a inversão da pergunta. Em vez de perguntar à vida qual é o seu sentido, a pessoa deve perceber que é a vida que a interroga, em cada situação concreta, e que a resposta é dada com a própria conduta, com responsabilidade.

O sentido, portanto, não é abstrato nem universal: muda de pessoa para pessoa e de momento para momento. E também não é inventado à vontade. É descoberto no que a situação pede.

As três fontes de sentido

Frankl indica três caminhos:

  1. criar uma obra ou realizar uma ação;
  2. experimentar algo ou encontrar alguém, e sobretudo amar;
  3. a atitude diante do sofrimento inevitável.

A terceira precisa ser lida com precisão. Frankl é explícito: sofrimento que pode ser evitado deve ser evitado, e sofrer sem necessidade é masoquismo, não heroísmo. Só quando nada pode ser mudado resta a possibilidade de mudar a si mesmo diante daquilo.

Contra o determinismo

Frankl rejeita a ideia de que o ser humano seja apenas produto de condições biológicas, psicológicas ou sociais. Essas condições existem e limitam, e ainda assim a pessoa conserva a capacidade de tomar posição diante delas. Ele chega a sugerir que a Estátua da Liberdade, na costa leste americana, deveria ter uma Estátua da Responsabilidade correspondente na costa oeste.

Técnicas

A logoterapia também propõe técnicas clínicas, como a intenção paradoxal, em que a pessoa com medo de algo é levada a desejar, com humor, justamente o que teme, o que muitas vezes reduz a ansiedade.

O otimismo trágico

Edições posteriores trazem um texto sobre o otimismo trágico: a possibilidade de dizer sim à vida apesar da tríade trágica, formada por dor, culpa e morte. A dor pode virar realização, a culpa pode virar mudança e a finitude pode virar estímulo para agir com responsabilidade.

Como ler hoje

Em Busca de Sentido é um livro curto e muito citado, e as citações soltas costumam perder o que dá peso a elas: quem escreve viveu o que descreve e não romantiza o sofrimento.

A leitura mais fiel guarda duas coisas juntas. A primeira é a afirmação de uma liberdade interior que nenhuma circunstância anula. A segunda é o cuidado de Frankl em não transformar essa liberdade em cobrança sobre quem não resistiu.

As ideias que ficam

  1. A estrutura em duas partes: o relato psicológico do campo e a apresentação da logoterapia.
  2. As três fases do prisioneiro: a chegada, a vida no campo e a libertação.
  3. A ideia de que a última liberdade humana é escolher a atitude diante das circunstâncias.
  4. A vontade de sentido, que Frankl contrapõe à vontade de prazer e à vontade de poder.
  5. As três fontes de sentido: uma obra ou ação, o amor ou a experiência, e a atitude diante do sofrimento inevitável.
  6. O vazio existencial e a recusa do determinismo que reduz o ser humano às condições em que vive.

O que o livro não diz

Frankl ensina que é preciso sofrer para encontrar sentido

Ele diz o contrário, com todas as letras: sofrer sem necessidade é masoquismo, não heroísmo. Se o sofrimento pode ser evitado ou curado, deve ser. A atitude diante da dor só se torna fonte de sentido quando o sofrimento é inevitável. É a última das três fontes, e não a principal.

O livro é um relato histórico do Holocausto

Frankl avisa desde o início que não pretende relatar os grandes horrores, já descritos por outros, e sim a vida interior do prisioneiro comum no cotidiano do campo. É um testemunho com olhar de psiquiatra, voltado para a pergunta sobre o que sustenta alguém nessas condições, e deve ser lido ao lado de relatos históricos, não no lugar deles.

Quem sobreviveu foi quem tinha um sentido para viver

Frankl observa que ter um motivo ajudava a resistir, e ao mesmo tempo insiste que a sobrevivência dependia de incontáveis acasos: uma fila, uma transferência, uma doença. Ele escreve que os melhores não voltaram. O sentido ajudava a suportar; não era garantia de sair vivo, e ler o livro assim culpa as vítimas.

Sentido é algo que cada um inventa como quiser

Para Frankl, o sentido é descoberto na situação concreta, não fabricado. Ele inverte a pergunta: não é a pessoa que pergunta à vida qual é o sentido, é a vida que pergunta à pessoa, em cada circunstância, e a resposta é dada com a própria conduta. O sentido muda de pessoa para pessoa e de momento para momento, e ainda assim não é arbitrário.

Frankl criou a logoterapia a partir da experiência no campo

As bases da logoterapia vêm dos anos anteriores à guerra, quando ele já atuava como psiquiatra em Viena. Ao ser deportado, levava o manuscrito de um livro sobre o tema, que se perdeu na chegada a Auschwitz. O campo foi, nas palavras dele, a situação em que suas ideias foram postas à prova, não o lugar onde nasceram.

Livros que conversam com este

  • Manual de Epicteto Epicteto

    A distinção estoica entre o que depende e o que não depende de nós, próxima da última liberdade de Frankl.

  • Sobre a Brevidade da Vida Sêneca

    Outra reflexão clássica sobre o que torna uma vida bem vivida.

  • É Isto um Homem? Primo Levi

    O testemunho de outro sobrevivente de Auschwitz, com foco no que o campo fazia com a humanidade dos presos.

Cards para fixar

7 perguntas

Quais são as três fases psicológicas do prisioneiro, segundo Frankl?
O choque da chegada, a apatia da vida no campo e a desorientação depois da libertação.
O que é a última das liberdades humanas?
A liberdade de escolher a atitude diante de qualquer circunstância, que não pode ser tirada de ninguém.
O que é a logoterapia?
A escola de psicoterapia criada por Frankl, centrada na busca de sentido como motivação humana fundamental.
Quais são as três fontes de sentido?
Criar uma obra ou realizar uma ação; experimentar algo ou amar alguém; e a atitude diante do sofrimento inevitável.
O que é o vazio existencial?
A sensação de falta de sentido, que Frankl via como mal difundido no século XX e que se manifesta em tédio e apatia.
O que é a tríade trágica?
Dor, culpa e morte, as três realidades que nenhuma vida evita e diante das quais ainda é possível encontrar sentido.
Em quem Frankl pensava para resistir no campo?
Na esposa, com quem conversava em pensamento, sem saber se ela ainda estava viva.

Aline Perez

Resumos de livros de não ficção

Escreve os resumos da estante Livros, extraindo a ideia central de obras que costumam ser mais citadas do que lidas. Escreve primeiro o que o livro afirma, depois o que ele não afirma e virou senso comum mesmo assim. A segunda lista costuma ser a mais longa.

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